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quinta-feira, 5 de abril de 2012

REMINISCÊNCIAS

      

           Ao passar por uma padaria senti o cheiro do pão ao sair mais uma fornada. De imediato fui remetida aos tempos de minha infância. Adoro este aroma.Coisa curiosa, pois pode parecer que tive uma infância maravilhosa e, no entanto, ela foi cheia de dificuldades, de carências materiais.
          Outra responsável por lembranças é a chuva, ou melhor, o odor que a terra exala em contato com a água da chuva. Não sei explicar com exatidão quando isso ocorre, mas creio que é em tempo de calor e de seca.
           Sempre morei em casa. Talvez por isso, pelo contato mais direto com o solo essa ligação seja explicada.
           Ao lembrar esta época, recordo de uma casa de madeira ao fundo de um grande terreno. Grama verde, borboletas e cigarras voando na primavera e no verão. Vejo-me cuidando de minha irmã menor e, no inverno que embranquecia o pasto, ouço meus intermináveis acessos de tosse. Volta uma grande sensação de impotência. (Ou quem sabe ela sempre esteve aqui escondida).
        Reporto-me ao nascimento de meu irmão, em épocas mais distantes ainda, da minha felicidade ao exibi-lo às visitas como se fosse meu bebê e das minhas angústias quando ele adoeceu e quase se hospitalizou.
        O gatilho de minha infância é detonado quando ouço alguma música esquecida no tempo. Lili (acho que é esse o nome) é uma delas.
         Associo ao passado, as balas de goma, aquelas ainda sem formas diversas como agora, peito de frango desfiado, balas de guaco, xarope caseiro feitos por minha avó, cuja folha era colhida direto na planta que se espalhava por cima da parede do tanque. Ainda, o doce de figo, cujo pé era possível enxergar da janela de seu quarto.
        Na Páscoa, ovos de açúcar, bem mais acessíveis que os de chocolate; ninhos feitos em cestos de vime ou caixas cuidadosamente decoradas com franjas de papel de seda. Uma grande expectativa se  instalava, um grande prazer fazê-los.
        Em um breve insight percebo que isso talvez explique a luta constante contra o excesso de peso.
        Volto à realidade e percebo o que poderíamos considerar à época como algo desagradável, o tempo torna doce, carregado de nostalgia, porque junto destas lembranças estão pessoas que nos foram caras. Apesar do tempo decorrido, permanecem indeléveis em nossa vida pelos ensinamentos, pelas vivências e pelo amor que nos uniu.
       

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

DESNUDAR-SE



Escrever é exteriorizar  a vida

Que não cabe nos limites da alma.

É virar do avesso

Mostrar as costuras,emendas

Remendos e imperfeições

Que são invisíveis

                              Devido  aos acessórios externos

sábado, 7 de janeiro de 2012

PARA MEU ANJO AMADO

 VOCÊ PARA MIM É...



A recordação mais linda

A ausência maior em minha vida

A saudade mais forte

Ao mesmo tempo,

A mais terna e mais doce.

O amor que permanecerá em mim

Por toda a eternidade.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Ciúmes

                                                     Ciúmes
                                                                                                     

            Independente de idade dos envolvidos, o ciúme é um sentimento que está presente em inúmeras ocasiões. È bom, é mau? Creio que o determinante desta avaliação será aquilo que ele possa produzir de bom ou danoso para as pessoas e para as relações.
            Fazendo uma retrospectiva daquilo que já observamos ao longo de nossa existência, sem medo de errar, podemos dizer que existe ciúme do bebê com relação à mãe, do pai em relação ao bebê que lhe rouba a atenção da esposa, de uma criança com relação ao irmão que lhe impede de ser o centro das atenções. Mais tarde, ciúme do colega que se destaca na escola, da namorada, e inúmeros outros casos corriqueiros.
            Mas porque este sentimento é despertado nas pessoas? Por amor? Terá relação com a inveja? Poderá ter, mas nem sempre é o caso.
            Creio que o ciúme está relacionado à posse. Sim posse, pois não é raro encontrarmos pessoas que tratam os outros seres como objeto de sua propriedade e, portanto sobre o qual exercem certo domínio. Isto os faz sentirem-se poderosos. Alimenta o ego. E se é seu objeto, acha-se no direito de determinar tudo com relação ao mesmo. Quando isso não acontece, em nome do ciúme são capazes de atitudes nada honrosas. O ciúme poda, cerceia, traz aborrecimentos, mágoas, cria fantasmas em uma relação que poderia ser saudável e feliz.
            O ciúme está relacionado também à falta de autoestima ou a uma baixa autoestima, ou seja, o indivíduo se acha tão insignificante, tão sem atrativos, incapaz de manter uma pessoa consigo por aquilo que ele é ou apresenta para o outro, que se deixa tomar pelo medo de perder alguém. Projeta no outro sua insegurança.
            É comum as pessoas colocarem sua felicidade no outro. Procuram alguém que lhe complete, ou seja , não se sentem completos. Estão sempre dependentes do outro para serem felizes. Ora, se perdem este complemento, serão infelizes, daí esse medo constante de perder o outro para alguém mais jovem, mais atraente, rico, bonito, inteligente, charmoso. Para alguém capenga emocional  haverá muitos outros “mais” a lhe causar temor.
Por isso muitos resultados trágicos, muitas horas perdidas, muitas noites insones, por fantasmas criados em mentes incoerentes, ou em pessoas que não conseguem se sentir como pessoas completas. Quem  está bem consigo mesmo, pleno, terá muito mais a oferecer do que cobrar, logo menos motivos para que esse sentimento se propague ou se intensifique.
                Nesse posicionamento dá para perceber também falta de maturidade psicológica.
                        Os resultados serão tanto mais danosos, quanto mais o indivíduo o alimentar ao invés de se amar mais e confiar em si e no outro.
                       Mais amor e confiança geram menos ciúme.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

ENVELHEÇO


Envelheço...

Quando perco a ilusão.

O sorriso de uma criança,

Não  enternece o coração,

A lua não  inspira poemas,

As estrelas não fazem os olhos brilharem.


O mar belo e surpreendente


Leva em suas ondas


O verde de minha esperança.


Envelheço...


Independente da idade que tiver.



quinta-feira, 10 de novembro de 2011

LOUCURA DE PRIMAVERA




É primavera de novo.
Renova-se o ciclo.
Encanta-me o colorido das flores,
O canto dos pássaros.
Sorrio (não pensei que fosse possível).
Cada vez que vejo o colorido da azálea,
Os Ipês começando a floração,
Os gerânios fortes e viçosos.
E os pássaros...
Recebo, diariamente
Solitária visita em meu pátio.
Parece chamar-me com seu canto,
Tão forte que até lhe pergunto:
O que desejas? Porque me chamas?
Queres me dizer algo?
Consegues perceber
O que minha descrença impede?
Qual recado trazes em teu canto?
E assim permaneço
Neste diálogo insano
Sem resposta, sem consolo
Que eu teimosa prossigo
Dizendo ao pássaro visitante:
Até o céu leva ligeiro,
O meu amor e minha saudade
Que a primavera mesmo abençoada
Não consegue abrandar.



Publicado no Diário da Manhã-Pelotas-RS
Data:2011.11.10-página 19-quinta-feira