sábado, 18 de fevereiro de 2012

PARTICIPAÇÃO EM ANTOLOGIA VIRTUAL -PORTAL CEN-PORTUGAL



ORGANIZADORA



                                            SELO DE PARTICIPAÇÃO




                                                                         ENTRELINHAS


                                                                       Isabel C.S. Vargas

...entre raios, pedradas e metralhas, ficou gemendo, mas ficou sonhando. (Triunfo Supremo) Cruz e Souza
           
Esta epígrafe é de um poema do autor citado. Segundo sei é também seu epitáfio. Tal texto não me remete à guerra, conflitos, mas a uma situação relacionada à superação, resistência e autoestima e que é denominada resiliência. Tal termo é empregado na física para indicar a capacidade dos materiais de voltarem ao estado normal após sofrerem grande pressão ou impacto. Não é usado só na física, mas em outros campos do conhecimento. A psicologia usa o termo para indicar a capacidade que a pessoa tem de se recuperar de grandes traumas, sofrimentos, abalos emocionais e seguir em frente, o que não significa que não foi atingido o bastante. É um enfoque diferente, que ao invés de analisar patologias, analisa ou estuda as respostas positivas do ser humano.
            É a capacidade de resiliência que vai explicar porque uns conseguem a superação de tragédias, perdas enquanto outros sucumbem.É estudada também no campo pedagógico.
 A vida do poeta em questão é um exemplo de resiliência.  Nascido em Desterro, hoje Florianópolis, filho de escravos foi alforriado e acolhido na casa do Marechal Souza como filho. Estuda mas com a morte dos protetores é obrigado a largar os estudos e trabalhar. Sofre perseguições e é proibido de assumir o cargo de promotor público por ser negro. A sua mulher enlouquece após a perda de dois filhos. Ele morre aos 36 anos. È o maior poeta catarinense.
O que me parece incrível e emocionante e que me induziu ao termo é a colocação de gemer e sonhar e que bem espelha a capacidade em questão. Ser atingido e olhar em frente. Não sucumbir, encontrar forças na própria dor.
Muitos fatores auxiliam ou predispõem à resiliência, entre eles afeto autoestima, laços afetivos fortes, fé, espiritualidade, flexibilidade, bom humor, alegria, tolerância, sabedoria, discernimento.
Dependendo da fase da vida é uma destas características que se sobressai ou grande parte delas entrelaçadas que fazem a rede capaz de segurar a pessoa para não cair, tal qual aquela rede utilizada pelos bombeiros, que além de segurar, aproveita o próprio peso e ainda impulsiona para cima.          
Relembrando a vida do poeta, não posso deixar de lembrar certas situações que às vezes parecem tão fortes a ponto de causar mágoa, como perceber-se alvo de ciúme de quem julgava amigo, mas que nada representa a não ser a prova da humanidade de todos nós, tanto de quem assim atua quanto de quem se deixa atingir, afinal cabe a cada um a escolha do caminho a seguir, se carregando mágoas como quem carrega um saco de batatas podres, que além de pesar atinge quem o carrega e quem está ao redor ou enterrando-o para servir de adubo que só fortificará mais os brotos que dali nascerem.
Lembro também pessoas maravilhosas que conheço e são tantas que usaram a dor para serem melhores e são fantásticas, alimentam o sonho, seu e de outros que tem o prazer de serem seus amigos e conhecerem a fortaleza de ternura em que se transformaram.
Por isto apesar dos raios, das tormentas, das dores e dos conflitos é importante ser otimista, permanecer íntegro e cultivar a esperança nas pessoas, no amor, na vida. Mesmo com o coração sangrando...

 .



Nenhum comentário:

Postar um comentário