sábado, 13 de abril de 2013

NEM PARECE PECADO, DE TÃO GOSTOSO QUE É ...

Nem parece pecado, de tão gostoso que é...

                                                                                   Isabel C S Vargas
                                  
                                                                

            Creio que a sociedade atual parece estimular os pobres mortais a cometerem pecados. Não quero aqui neste texto discorrer sobre o aspecto religioso, embora se fale em pecado. Encaro, na realidade, como transgressão, rompimento de limites, ultrapassar o senso comum, ou melhor, dizendo, o aceitável.
            Falo aqui, mais precisamente, da GULA. Pode o leitor pensar que brinco ao falar nisso, mas falo seriamente, pois é algo muito utilizado pelos especialistas em marketing. A mensagem subliminar. É isso que ocorre em grande parte das grades de programação das emissoras. Já observou o leitor, como em toda a novela, seriado, aparecem em profusão pessoas, famílias inteiras comendo?É refeição matinal, lanchinho, hora do almoço, jantar. Por acaso se aperceberam de quantas vezes, após verem na TV determinada refeição, levantaram e foram em busca de algo para comer? E aquelas pessoas que passam o dia grudadas na televisão, sem praticar exercício físico e ainda sendo sufocados pelos comerciais agressivos? (Uso agressivo no que tange a quantidade dos mesmos).
            Imaginemos a carga emocional avassaladora em se tratando de crianças, alimentando-se –até por questões de praticidade, por ser pronta- de salgadinhos, bolachinha doce, e uma gama cada vez maior de produtos disponibilizados no mercado, com inúmeros atrativos, brindes, sorteios, e jogados em horário nobre e/ou infantil?
            Podem até achar que há exagero de minha parte, mas as reportagens, as pesquisas mostram o brasileiro cada vez mais obeso, crianças obesas, com colesterol, pressão alta, e tudo em nome de que? Da ansiedade que atinge a grande maioria, por não conseguir dar conta de todas as exigências, imposições, disfarçadas em escolhas e que em decorrência de não saberem como lidar com a pressão psicológica se entopem de comida, para obter algum prazer, e o que é pior, em uma sociedade que coloca como ideal de beleza, de obtenção de status, a pessoa magra, longilínea, elegante, mesmo que isso custe, muitas vezes, a saúde física e mental.
            Isso é ou não pecado? Exigir que as pessoas vivam sempre sendo testadas, sempre no limite?

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